Rubinho sonha com volta ao Corinthians e descarta usar verde




A carreira de um dos melhores goleiros do futebol italiano já esteve por um fio. Rubinho hoje brilha no Genoa, quarto colocado na Itália, mas saiu do Corinthians em baixa e ficou afastado dos gramados por alguns meses. Dada a volta por cima, ele diz não guardar mágoas do clube que o formou e sonha em voltar a ouvir o Pacaembu pulsar. E diz que não jogaria no Palmeiras.

O sucesso de Rubinho repercute de forma que seu nome tem sido especulado para as próximas convocações da Seleção Brasileira, em especial para a Copa das Confederações, em que Dunga pode mesclar titulares com algumas experiências.

Nessa primeira parte de entrevista exclusiva ao Terra, Rubinho conta sobre as expectativas para a Seleção Brasileira e sobre os momentos difíceis em que precisou se apegar à fé para superar os problemas. Comenta ainda sobre o Dia do Goleiro, celebrado neste domingo, do irmão Zé Elias e sobre o sonho de ser o novo Ronaldo no gol corintiano.

Confira a parte 1 da entrevista com Rubinho (acima, você pode acompanhar as outras duas partes do bate-papo com o goleiro):



imtrevista de rubinho com o terra.

Terra - O que você acha de ter um dia em homenagem ao goleiro?
Rubinho - Acho bem legal, porque alguém teve a capacidade de lembrar que o goleiro também joga futebol (risos). Por mais que a gente fique sozinho, faz parte de um grupo e, mesmo fazendo parte dele, nunca vi o dia do atacante ou dia do meia. É tão diferente que só a gente tem nosso dia.

Terra - E o pessoal na Itália comenta sobre esse dia?
Rubinho - É mais no Brasil, aqui na Itália não fazem nem idéia disso. No ano passado, quando avisei meu treinador de goleiros, ele nem sabia. É uma pena, né?

Terra - Li uma entrevista sua em novembro e você dizia que não liga muito para a Seleção, que o Dunga já tinha os escolhidos. Mudou isso na sua cabeça? Tem se falado que você pode ser convocado.
Rubinho - Está do mesmo jeito. Acredito nisso, de que fazendo um bom trabalho, vou chamar a atenção deles, mas não posso reivindicar um posto na Seleção. Tenho que trabalhar e não ficar falando, como vejo muita gente falando que vai renovar o contrato para ir à Seleção. Acredito que tem que ir por merecimento, então vou trabalhar pra fazer bem aqui e se um dia o Dunga me chamar, como na Copa das Confederações, vou voando e farei de tudo pra tentar ajudar quem estiver lá. Se eu não for, tenho minha consciência que fiz bem no Genoa.

Devagarzinho, chegamos até nossos objetivos. Claro que todos têm esse sonho de uma vida melhor, mas eu por enquanto estou bem aqui no Genoa. Se me chamar, vou ficar feliz da vida, estourar uma champanhe, e vou fazer de tudo para me manter em um grupo importante. Agora, se eu não for, continuo minha vida. Com os pés no chão e humildade.

Terra - Você acha que subiu muito cedo para ser titular do Corinthians? Para você e o Doni, substituir o Dida foi um pouco demais naquele momento?
Rubinho - Não julgo que foi cedo, porque a oportunidade aparece e você precisa estar preparado. Tinha 18 anos e acabado de retornar do Mundial Sub-20, em que fui muito bem. Mas com essa idade, você não está totalmente maduro para enfrentar os erros que cometeu e jogar o Brasileiro.

Fiz umas partidas, depois entrou o Doni, e não fomos tão bem naquele campeonato. Então nós demos brecha para trazerem o Dida de volta e ficamos uns sete meses sem jogar. De todo o jeito, foi uma experiência legal. Não lembro de outro goleiro que não fosse o Ronaldo a estrear no Corinthians com 18 anos. Foi uma experiência válida, mesmo tendo jogado pouco.

Terra - Dizem que o Luxemburgo não é bom em lançar jovens jogadores. Como foi o trabalho contigo?
Rubinho - Na época, eu era o quarto goleiro do time e ele chegou um dia e disse que ia me colocar com os juniores, para atuar em cinco ou seis amistosos, para eu jogar e brigar por vaga no time principal. Para mim, seria legal para pegar ritmo, porque quando voltei da Seleção Sub-20, estava embalado pelo bom campeonato e comecei a treinar bem.

Então um dia fomos fazer um amistoso com o Bragantino e ele falou meu nome entre os titulares e todos ficaram meio assim. No jogo da estréia, contra o Colo-Colo, no Chile, ele me chamou de canto, passou tranqüilidade e tirou a pressão. Disse que ele estava me pondo e para eu jogar bola e fazer meu melhor. Foi essa a preparação que ele teve comigo.

A coragem dele, nenhum outro teve. Foi o primeiro a acreditar em mim. O único outro que me deu moral foi o Geninho, o resto falava que eu era um baita goleiro, mas nunca me punha pra jogar. Falo isso de três ou quatro treinadores.

Terra - Como é tua relação com o Zé Elias, teu irmão?
Rubinho - Minha relação com ele é muito boa. Não é só de irmão, mas de amigo. Muitas coisas ele já me confidenciou e eu também para ele e isso demonstra uma ligação forte. Tem irmãos que passam a vida toda com aquela relação burocrática. A gente tem uma relação muito legal, de extremo respeito.

Terra - Ser irmão dele te ajudou no futebol?
Rubinho - Ele com certeza já tinha um nome, mas eu tive que batalhar sozinho. Como falavam que éramos irmãos, perguntavam se éramos tão bom quanto. Isso acabava me colocando em uma situação em que eu tinha que provar o que eu era mesmo.

Terra - Ser irmão dele te ajudou no futebol?
Rubinho - Aqui falam que sou o irmão menor dele, até por ele ter jogado no Genoa. Falavam sobre isso, mas foi sumindo conforme eu fui jogando, o que é natural. Não deixaria mesmo de falar que somos irmãos, mas hoje já são cada vez mais raras as associações.

Terra - Antes de chegar ao Genoa, você passou por Verona e ainda Vitória de Setúbal. Como foram essas passagens?
Rubinho - No Verona, foi uma situação estranha. Conheci o treinador e ele me queria lá de todo jeito. Peguei o passe no Corinthians e vim para a Itália, fiquei três meses fazendo adaptação, treinava com os juniores para não atrapalhar a equipe. Eu me adaptei à língua, ao treinamento italiano e voltei para o Brasil nas férias. Eu não poderia assinar com o Verona, porque teria que pagar uma quantia ao Corinthians por direitos de formação. Então resolvemos só assinar depois do meu aniversário, em 4 de agosto.

Voltei de férias e então o presidente tinha brigado com o nosso treinador. E como eu era um atleta pedido por ele, fizeram uma confusão para eu não assinar o contrato. Depois, eles brigaram de novo e se falou que não iam me pegar por eu ser jogador indicado pelo técnico.

Acabei voltando de novo para o Brasil, e estava sem clube e com 1 ano sem jogar no Brasil. Voltei na última semana do mercado de transferências e não aconteceu nada. Em 2005, fiquei sem jogar por essas confusões. No fim do ano, recebi o convite para o Vitória de Setúbal, para ficar na reserva.

Então aceitei, fui para lá e, depois de dois jogos no banco, comecei a jogar. O time continuou indo bem e fomos para a final da Taça de Portugal. Conseguimos classificar para a Copa da Uefa e o pessoal do Genoa me levou para a Itália. Mas foi uma experiência incrível, porque cheguei para ser reserva e fiz 19 jogos. Não era fácil depois de um ano parado e mantive uma boa média.

Terra - Pensou em parar de jogar futebol?
Rubinho - Não, isso não. Graças a Deus, continuei com a idéia de voltar a jogar. Treinava sozinho todos os dias, ia em academia, jogava bola na parede da piscina para não perder a pegada e a força. Isso, pelo contrário, me dava mais força.

Terra - O que você diria a um jogador que passa por momentos duros e pensa em parar?
Rubinho - Sou evangélico, então me apeguei muito a Deus. Foi uma época em que eu mais aprendi com a palavra de Deus. Então, digo para ter fé, pois ela move montanhas. Se acreditar que está perdido, aí perde mesmo. Mas se acreditar, você vai ter seu trampolim de relançamento no futebol. É acreditar que vai dar tudo certo e ter humildade.

Terra - Você sonhava em ser o novo Ronaldo?
Rubinho - E como! Todo corintiano que virou goleiro, sonhava. Eu ficava brincando na garagem e só falava do Ronaldo. Para mim, era Deus no céu e ele na Terra. Jogava no gol e esperava jogar tão bem quanto ele. Hoje é meu amigo, conheci quando jogou com meu irmão e temos amizade mesmo. Quando nos encontramos, conversamos muito. Hoje é muito mais que um ídolo.

Terra - O que ainda quer fazer na carreira?
Rubinho - Vou trabalhar bastante aqui na Europa, ficar um bom tempo aqui. Tenho um ano de contrato com o Genoa, vou cumprir legal, e se me venderem, mais legal ainda. Quero ver meu filho crescer bem, ir para a Seleção, mas com os pés no chão. Quero conseguir um espaço importante em um clube de ponta, mas sem pressa, no tempo justo, sem roubar espaço de ninguém.

Terra - Sonha em voltar ao Corinthians?
Rubinho - Nem fala! Minha história está ligada ao Corinthians, conheci minha esposa lá. Então tenho amigos no Corinthians, como gari, porteiro. Meu sonho seria voltar e acabar a carreira no Corinthians, seria uma forma legal de coroar.

Uma vez, perguntaram se eu jogaria no Palmeiras, respondi que não. Não gostaria de me ver de verde e branco. Não gosto nem de ver meu filho de verde! Espero terminar a carreira no Corinthians, tenho o sonho de voltar ao Pacaembu.

Terra - Culturalmente, o que você assimilou vivendo fora do Brasil?
Rubinho - Estou na Ligúria e até a França, em Montecarlo ou Nice, são duas horas de viagem e se quiser dar uma volta, tem comida diferente, costumes diferentes, coisas que vão te acrescentar. São coisas, como uma foto em um museu, que te enriquecem e no Brasil você dá valor a outras coisas. Você não vê o pai chegar até o filho e dizer que vai no Museu do Ipiranga. Mas só para ver o Corinthians e o São Paulo jogar.

Minha esposa é estilista, então temos possibilidades de alguém que tem uma grife, que pode te explicar de onde vem aquele tecido. Outro dia, eu fui jantar com um amigo que trabalha como auxiliar de cozinha e ele me levou lá dentro, ensinou a fazer a massa de pizza. Essas coisas não têm preço, como um italiano te ensinar a fazer isso.

Terra - Qual foi a última vez em que você chorou e por qual motivo?
Rubinho - Foi no nascimento do meu filho. É uma coisa que você sempre sonha, mas quando você vê seu filho nos seus braços, não tem como não chorar. Graças a Deus foi por um motivo bom.

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